O mundo, dizem, não é meu:
E movo o mundo,
Em cada olhar,
Em cada sensação,
Em cada pensamento,
Em cada existência.
Absorvido, por fim,
O cerne das coisas,
A alma de tudo,
Que sou eu e mais nada,
Move-me o mundo.
E o mundo sou eu.
O mundo, dizem, não é meu:
E movo o mundo,
Em cada olhar,
Em cada sensação,
Em cada pensamento,
Em cada existência.
Absorvido, por fim,
O cerne das coisas,
A alma de tudo,
Que sou eu e mais nada,
Move-me o mundo.
E o mundo sou eu.
Mais um delírio febril,
De qualquer maneira,
Só que agora com febre -
Ainda que o não fosse a outra,
Que o era tanto.
O que será o almoço
Que não existe
Por ainda não existir,
Tal como eu não existo
(Porque não vou comer?)
Porque vou existindo...
Vejo sempre os três lados da moeda -
Guernica intelectual.
E são as palavras que me abandonam,
Ião do processo que restou,
Nesse limbo,
Nesse limbo,
Nesse limbo,
De nunca chegar a ser que sou.
Sei que é fútil.
Toda a procura por um encontro,
Toda a partida que nunca chega,
Todo o tempo queimado a escrever eu,
Escrevo!! Todo eu, queimado pelo tempo.
Talvez hoje seja o dia em que morra.
Não por uma febre do corpo,
Mas da alma - a ironia mais pura -
Se é a única crença,
Falsa
Ou não
Que me mantém vivo.
Nada faz sentido,
Por isso aqui vos deixo,
E escusam perguntas ou análises profundas,
Com um elefante, magnífico, a jogar mikado - numa praia de alcobaça.
Joga! Joga elefante! Joga!
E vou dizer que isso é a vida,
E vou dizer que isto é o amor.
Caíu mal.
(Deu merda)
E estou a ficar sem tinta no tecl
Abandonar o campo de trigo na esperança
Improfícua
De um pão sobre a mesa,
É o que fazemos.
Que percamos os milhões de espigas viçosas,
Que percamos o vasto potencial de vida futura,
Que percamos o incerto das possibilidades absolutas,
Nada nos pesa.
Que apodrecerão, com o fim da época,
Que pão seria, afinal, o seu destino final possível,
Que o potencial não é que imaginação humana em trigo infértil,
Dizemos.
Abandonamos o campo de trigo que somos,
O pão que ficamos resta.
Que penso eu, de coração e mente,
De pensar tudo isto que me pensa?
Como acalmar em mim esta doença,
Que não passa de passar tempo consciente?
Que não passa de crer, eternamente,
Que não há eterno que não passe enfim de crença?
Respostas, não há mais nesta vida que indiferença.
Que o que o não é não é mais que o que se sente.
Escrever,
É plantar a árvore
Da qual nunca apreciarei a sombra.
Ao longe, quando crescer,
Talvez vislumbre
Nova vida a brotar, nova magia.
Assim foi comigo,
Assim é justo.
Adormecerei resignado. Nostalgia.
Este é o poema que podia não ter sido
(e esteve quase para não ser).
Vencida a inércia resta o absurdo.
Razão?
Não há resposta quando o poema é como nós.
Acaso do criador,
Angústia do aleatório,
Desespero do desperdício potencial.
No fim sobra isto - palavras soltas sem sentido,
Pessoas soltas sem sentido,
Vagueando na procura do seu ser
Numa perda de tempo que consiste,
Persiste, Insiste, Resiste,
Em tentar não o perder.
Este é o poema que podia não ter sido,
Do poeta que podia não ter sido,
E talvez não sejam ambos.
Ou são:
Mas afinal,
No final,
É como se não fossem.
Não tenho muito que dizer, senão que passei disto, aqui,
Para isto:
www.pedroleitao.wordpress.com
Não acho que valha a pena - nem sequer o fiz conscientemente.
Por umas razões fui deixando de escrever aqui, por outras fui forçado a fazê-lo noutro lado, e de outra forma.
E talvez seja o fim deste espaço, ao fim de muitos (pelo menos para mim!) anos.
Vejo,
Para lá da minha janela,
O cinzento e a chuva de hoje,
Assim como o sol de outros dias.
Sinto,
Para lá da minha janela,
O sozinho da pedra,
Ruas de solidão.
Sou eu,
Assim,
Sempre,
Para lá da minha janela.
A ausência do presente
Extingue.
A dormência do útero não se sente.
Não é, já, dormência,
Clausura.
A juventude é ainda, agora, perdura.
Mas hoje menos.
Mas amanhã menos.
É,
Mas menos,
menos,
menos.
MENOS!
menos...
(medo)
Desaba na consciência o sonho.
É tarde de ser cedo.
Passamos o tempo para esquecer que o tempo passa,
E, no seu passar, nos esquece a nós.
Nesse seu passar assim pomos a vida:
Ou assim pensamos pôr, de embriaguez
Aguardamos, sonolentos, nossa vez
Para sempre ancorados na partida.
Em todo o tempo é muda a nossa voz,
Em todo o tempo a nossa alma é laça.
Dfhd, sfdfh fdsj fsdhj mente,
Vmvf, vrevo verv q, inexorável.
Vwvoim, treed feff amável,
Eoekcfvfv edefv reminiscente!
Podoidw lvkov consequente...
Kmzwodk, djd wed agradável!
Ossd woemd, ds inigualável
Koswwd, cdde tdeu paciente!
Oasdjde fdef iue df escuridão,
Ows deo, ed dhfr wer lamento,
Podwd de ffgr sdd dcx verdade...
Okdwd de scc swdf solidão!
Poefks dedf, we efc momento,
Odwd dme fefe widsd saudade!
Agorafobia (de si).
Porquê?
Se o nada é tanto como o resto.
Se o vazio é receptáculo do potencial.
Se o desejo cumprido é morte do desejado.
Se a palavra é inconsequente e volátil.
Se a suposição é bálsamo da alma.
Porquê?
Porque a resposta é a pergunta.
Porque a pergunta somos nós.
Para escrever é precisa a solidão
A solidão de todas as horas tardias
Que (quase) sempre tardam em ser horas,
A solidão do silêncio dos meus dias
Que (sempre) quase ensurdece sem demoras,
A solidão do tumulto pardacento
Que alastra a esperança fugidia,
A solidão de todo o tempo, lento,
Que arrasta em mim a noite de ser dia,
A solidão do ser só e incerto
Se me mude (se me mate), ou me conforme.
A solidão de dormir, assim, desperto,
Num mundo que, assim, desperto dorme.
Do alto da tua rima inconsequente
A todos falas, sem nada dizer.
Poeta é título gasto, imponente,
Mas vazio no cerne do teu ser.
Palavras encaixadas, construção,
Autêntico carpinteiro das letras.
Enganas quem tem simples coração,
Mas não mente, para ver as tuas tretas.
Sei que não serei, nunca, o primeiro.
Não me aborreço com preocupações de estética.
Mas sou, no que escrevo, verdadeiro.
E toda a verdade não tem métrica.
Este é, talvez, o meu último poema.
Não o é por nenhuma perfeição poética,
Ou por qualquer sua outra propriedade,
Mas sim por alguma coisa fora dele
(Ou dentro dele, pois se está dentro de mim)
Estou cansado da cinza sobre a mesa,
Do musgo lentamente alastrando nas minhas paredes,
Da subtil mediocridade instalada a meu pedido,
Da vida que corre comigo alheado,
Quando me dizem que o devo aceitar.
É melhor o conforto do musgo, dizem,
Que o desconforto de não ter paredes
(Onde ele cresça).
Que solução?
O atractivo do conforto de quatro paredes humanas,
Numa decadência humana,
Por um medo humano
De ser diferente.
Deixar a casa?
E a crise imobiliária,
E a tristeza da casa que deixo e já me deu tanto,
Esgotando-se em mim como eu nela,
Ao ponto do musgo já ser nosso?
E a incerteza,
E a ironia disto tudo,
Sabendo que a perfeição aparente
É mera questão de tempo?
Nada há a fazer,
Em consciência:
Porque nada há em consciência.
É tudo verdade, é certo,
Ou então quão verdade a verdade possa ser.
Mas então porque o horror,
Quando acordo da doce letargia,
E o sonho de outra coisa qualquer?
A eterna questão irresolúvel.
Ser único…
E não se bastar a si próprio.